Eita … professora?!

Sabe aquela frase “Cuidado com o que você deseja pois você pode conseguir”, pois é…  não sou “Monange” mas estou sentindo na pele essa emoção.

Desde os meus 6 anos eu sonhava em ser professora, colocava minhas bonecas perfiladas sobre a cama e lhes aplicava provas que – eu mesma fazia, eu mesmo preenchia e eu mesma corrigia -, ensaiava “chamadas de atenção” e passava “exercícios de fixação” no meu quadro improvisado. Mal sabia eu que já reproduzia um modelo de “educação bancário” (rs).

A criança cresceu, formou-se e adentrou no mais belo país da educação superior … com ela chegou a realidade. Minha pequenez neste mundo é notória e a sensação de – você vai ser mais uma qualquer – bate na minha cara com frequência.

Não é mistério, para os que me conhece, minha forma peculiar de entender a educação  e o meu senso de exigência e de auto-exigência.

Nunca tive medo de alunos “bagunceiros”, “desrespeitosos”, “mal-educados”, “preguiçosos”, “desinteressados” e toda a sorte de qualificadores ruins que um professor pode dar aos seus alunos. O meu maior medo foi e sempre será entrar na vida dessas pessoas (sim pessoas, com histórias de vida e características próprias) e não contribuir, sequer uma vez,  para uma reflexão de si, sobre sua formação e sobre o seu papel na sociedade, mesmo que isso exija atitudes enérgicas…

Eita… desafio! Aprendi com um grande mestre que ensinar é:

– ter rigorosidade metódica

– pesquisa, criticidade, estética e ética

– comprometimento

– ter consciência do nossos inacabamentos

– NÃO é a mesma coisa que transferir conhecimento

– convicção de que a mudança é possível

– que educação é uma forma de intervenção no mundo

– que a educação é ideológica

E principalmente querer bem aos seus educandos, além de ter alegria e esperança no seu ato de ensinar.

Talvez o conteúdo das minhas aulas seja esquecido daqui a algum tempo e, de certa forma, acho que isso faz parte…  o meu temor é que esse aluno não tenha desenvolvido suas próprias ferramentas – éticas e dignas – para aquisição de informação e produção de conhecimento,  que passe por mim sem ter sido incomodado, sem ter sido convidado a olhar a vida de uma maneira diferente, sem ter reconhecido aquilo que ele tem de melhor a oferecer.

E é nesse momento que me responsabilizo, em parte,  pelo “é esse profissional que vai atender a D. Josefa do Bairro Boa Morte  “, é esse profissional que vai ser “o gestor da saúde de um município “, é esse profissional que vai atender “minha mãe, marido, filho…” e me pergunto todos os dias quando deito as 3 da manhã – o que eu tenho feito  para contribuir com isso?

A única resposta que tenho chegado é (aliás a mesma de sempre da minha vida): “Uma das condições para se pensar certo é não estar demasiadamente certo das nossas certezas”

 

Dedico esse post a todos os meus alunos – aqueles que eu consegui tocar ou não – pois TODOS vocês ME MOBILIZAM, ME FAZEM CRESCER, ME QUESTIONAM E ME FAZEM PENSAR MEU PAPEL NO MUNDO.

 

Como complemento.

http://www.youtube.com/watch?v=zzfQHswy92k

 

 

 

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Um pensamento sobre “Eita … professora?!

  1. Referência, na verdade inspiração do texto: Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia

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