Resultados de nossos pequenos passos aqui no blog

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 2.000 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 3 anos para ter este tanto de visitação.

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Profissionais humanos … que tal humanizar-vos?

Marcus FariaFilósofo com Pós Graduação em Filosofia Moderna e Contemporânea.

Marcus Faria
Filósofo com Pós Graduação em Filosofia Moderna e Contemporânea.

Este olhar é do…

“Uma mulher de 36 anos deu entrada no hospital no leito 437 às 13h decorrente de um acidente doméstico por queimadura. Seu quadro é estável, já se encontra devidamente medicada e sob cuidados clínicos”.

Casos assim são costumeiros na vida de vários agentes de saúde, devidamente especializados e treinados para lidar com situações adversas.

A bagagem científica recebida na faculdade, dada de forma generalizada e objetiva, permite aos profissionais o manejo de terapias e soluções cabíveis, bastando identificar o problema e observar a gravidade do caso para saber o que e como fazer os procedimentos apropriados.

É o mínimo a se exigir de um bom profissional de saúde, pois situações assim implicam a vida de pessoas e seus riscos de perdê-la ou ter sua saúde debilitada. Correr contra o tempo e a demanda de pessoas que entram e saem de hospitais, clínicas e centros de saúde exige ações rápidas e concisas.

O problema de se adotar unicamente uma postura científica ao se trabalhar com pacientes é esquecer que aquelas pessoas não são apenas pacientes. São vidas em potencial, com suas experiências pessoais, hábitos de vida, crenças sociais, etc.

Não se trata apenas de uma mulher de 36 anos no leito 437 depois do meio dia. Pode ser uma mãe ou uma empregada que preparava o almoço e distraída com alguma preocupação ou por conta de alguma doença que não sabia acabou deixando óleo quente cair sobre as mãos.

Tal discurso parece um tanto emocional e patético se concretizarmos a ideia de que é impossível se solidarizar ou querer inteirar-se dos problemas e angústias de cada um dos milhares de seres que habitam provisoriamente um leito hospitalar. É até mesmo absurdo querer esperar de um médico, enfermeiro ou fisioterapeuta vontade para aprender conceitos filosóficos e humanistas para lidar com questões que são obrigações de um psicólogo ou assistente social. Resumindo: “Cada macaco no seu galho! Deixe medicar quem tem que medicar e terapia para quem faz terapia”.

Realmente não faz sentido algum querer que um profissional de saúde seja gabaritado para dar lições de comportamento ou identificar desvios psicológicos. O que é interessante esclarecer é a importância de se deixar um pouco de só enxergar números, causa e consequência, classificações métricas.

Como já foi dito é quase impossível querer saber detalhes de tantas pessoas que vem e vão a todo instante. O importante não é o tempo e a rotatividade de pessoas, mas o momento em que paciente e agente estão frente à frente, são aqueles breves minutos de uma consulta, de uma medicação, de uma sessão de fisioterapia.

Para o paciente surge a sensação de não ser apenas mais um, mas de ser um a ser atendido, a ser dado atenção. Para o agente aumenta-se a probalidade de conhecer melhor a intimidade da pessoa, para que nela ele possa identificar a origem específica de um problema, se aquela pessoa mantém hábitos favoráveis ou não para se recuperar melhor, se há no jeito dela viver uma forma de se adaptar a um tratamento, etc.

Enquanto um paciente se sente acolhido um agente colhe informações mais precisas e subjetivas.

Mas na prática o que seria essa humanização e como procedê-la? Já foi dito que há uma postura mais subjetiva: cada um visto como cada um.

O contato é fundamental, pois é por ele que se faz uma troca: o paciente passa informações e o agente passa segurança. E essa segurança seria muito bem vinda se acompanhada de uma certa emotividade, que pode contribuir para uma sensação de bem estar e receptividade.

Um paciente que se sente seguro e acolhido com certeza tem grandes chances de melhorar mais depressa e facilmente. Ocorre nesse processo uma sensação humana básica e que todos nós gostamos: o prazer.

Somos direcionados ao que nos dá prazer e tudo aquilo que nos afasta de certa forma desse sentimento atrasa, torna o processo lento, angustiante, causa ansiedade. E estar num processo de recuperação em um hospital ou clínica não é nem um pouco agradável. São os lugares mais improváveis de uma pessoa ter algum prazer! Por isso seria muito bem vinda uma sensação assim num momento tão incômodo.

Aquém das vantagens de um processo prazeroso, que merecem um texto à parte, como poderia um agente de saúde realizar um atendimento mais humanitário?

Uma forma seria se especializando em cursos de humanas, acumulando conhecimentos filosóficos e psicológicos que atuariam como veículo, como acréscimo à experiência de cada profissional.

Faz-se importante a vontade de cada agente de saúde querer fazer um curso em humanas; mas fazê-lo não é garantia de tornar o atendimento mais humanitário. Vale muito a pena instruir-se, ter contato com esse lado mais antropológico, mas tornar a atitude clínica mais humanitária vai além. Tais cursos, sem querer desvalorizá-los, são, na verdade, um meio termo, um abono, mas não a solução. É importante chamar a atenção que despertar uma ação humanista vem de cada pessoa e cursos são apenas meios que lapidam esse lado humano anestesiado pelas exigências objetivas da ciência.

Se informar sobre cultura, ideias e teorias terapêuticas é muito bem vindo ao agente de saúde para que ele seja capaz de esclarecer algumas dúvidas, questionamentos. Aumentaria não só a qualidade de sua vida profissional como contribuiria bastante para sua própria evolução como Ser Humano.

Mas o grande passo a ser dado viria de sua própria vontade de criar pontes e aumentar o contato com cada paciente. Deixar um pouco de lado a postura maniqueísta de “saudável-doente, vida-óbito, causa-consequência” e se permitir aprofundar um pouco mais na experiência única de cada pessoa.

Podemos alegar vários impedimentos para que a Saúde continue sendo apenas um palco medicinal e que seus profissionais mantenham uma postura objetiva para simplesmente conseguir concluir com eficácia a jornada de trabalho. Mas vale a pena lembrar que, em algum momento, os agentes de saúde também tornam-se pacientes.

Redes sociais virtuais, imprensa, indicadores urbanos e violência

Luciana Xavier Senra - Psicóloga e Mestre em Psicologia/UFJF

Luciana Xavier Senra – Psicóloga e Mestre em Psicologia/UFJF

Este olhar é da …

 

Há alguns meses fui adicionada em um grupo de discussão virtual de uma rede social sobre a política local e as influências da situação nacional sobre ela. Passado o calor das eleições, quando todos expressaram suas indignações, posicionamentos e preferências por este ou aquele candidato ou partido político, restaram nesse grupo as discussões acerca de diversos temas.

Dentre eles, a composição da câmara de vereadores, quem será seu novo presidente, reforma política, índices sociais e o que mais me chamou atenção: o crescimento (ou não) de nossa cidade nos seguimentos básicos de habitação, renda, educação, saúde e segurança pública. Este último foi decorrente de um post sobre uma matéria do jornal de circulação local intitulada “JF cai de 3º para 49º lugar em Minas no índice social” do dia 04 de dezembro de 2012.

O autor dessa postagem destacou “das cinco dimensões avaliadas (habitação, renda, trabalho, saúde/segurança e educação), Juiz de Fora apresentou queda de desempenho em quatro delas. Apenas no critério educação não houve retrocesso, com a cidade obtendo o mesmo resultado do estudo feito em 2000”.

O questionamento que não me deixou permanecer apenas refletindo sem me expressar e me impulsionou a comentar esse post foi: “como não considerar a manutenção de um resultado também um retrocesso se já se passaram 12 anos e nada mudou? Queda de desempenho e involução não são sinônimos, mas ambos tem impactos significativamente prejudiciais para indivíduos, famílias e comunidades”.

Em tempos de fluidez e repercussão de comentários na velocidade da luz, o comentário vale mais pela quantidade de curtidas que ganhou do que pelo mal estar ou indignação revelados. Como meu comentário obteve apenas uma curtida, meu questionamento e nada foi a mesma coisa. Valem, como destacou um membro do grupo virtual, comentários de famosos do tipo “to na área…” com 52.825 curtidas. Não sou tão rápida assim com tantas informações disseminadas virtualmente, portanto, já me antecipo dizendo que também não sou frequentadora assídua das redes sociais e grupos virtuais de discussões, embora alguns temas tenham me chamado atenção, sobretudo a partir da última semana do mês de novembro.

Desde o período ressaltado, o mesmo jornal de circulação local, até por volta dos dias 08 e 09 de dezembro do ano findouro, trouxe uma rápida série de reportagens sobre a temática da violência e segurança pública na cidade no corte temporal dos últimos dez anos, com matérias como “Geração exterminada pela violência” e “Acesso a armas acirra violência”.

A primeira delas mostrava que de 2002 até 2012 “quase a metade das mortes violentas ocorridas em Juiz de Fora este ano – 38 de 85 homicídios – tem como vítimas jovens, a maioria negros e pobres” e na segunda foi evidenciado que “em uma década, confrontos juvenis nos quais eram usados paus e pedras, foram substituídos por crimes com tiros”.

Esses dados, infelizmente, são consoantes à realidade nacional e com das grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, ou, mais bem explicitando, com cidades do mesmo porte que JF e até menores como Governador Valadares; como é revelado pelo Mapa 2012 da Violência no Brasil desde o mês de maio (época de seu lançamento), e divulgado, curiosamente, apenas agora, nos meses de novembro e dezembro, no auge da crise da segurança pública na cidade de São Paulo, após as eleições.

Voltando à realidade local, diária e semanalmente são divulgados assassinatos de adolescentes e jovens por rixas de gangues; assaltos à porta de residências; espancamentos às mulheres e, ontem, “confronto em residencial leva medo a 380 famílias”, quando a Polícia Militar foi chamada três vezes para conter o confronto entre os moradores do “Minha casa, minha vida” e aqueles de bairros vizinhos, que se utilizaram de paus, pedras, armas brancas e de fogo para se enfrentarem.

Sensacionalismos e o claro tendencionismo à direita da imprensa a parte, o fato revela, na verdade, que não basta dar teto e colocar as famílias debaixo para saírem da condição de pobreza extrema; para se protegerem da chuva que sempre ameaçou encostas e margens de rios. As pessoas estão sem saber o que é um lar; as crianças, adolescentes e jovens estão aprendendo a não ter perspectivas, a não terem mais sonhos, tamanha a ociosidade, tamanho o retrocesso nos seguimentos de trabalho, renda, habitação, saúde, segurança e as mesmas condições educacionais de dez anos atrás de nossa cidade.

O que não quer calar: onde está o poder público? Onde estão os cidadãos? Onde estão as diretrizes de aplicabilidade da inclusão sanitária, social e educacional? Onde está o cumprimento de diversas legislações para melhores qualificações e remunerações de profissionais que, no exercício de seu trabalho, podem contribuir para a redução de tanta desigualdade e fazer com a cidade pare de cair no ranking de indicadores sociais? Muitos de nós profissionais da saúde, da educação e da assistência social defendemos a inclusão daqueles com alguma necessidade especial física, cognitiva e sensorial (me desculpem se não usei a expressão correta), daqueles marginalizados por sua orientação sexual ou por sua cor/raça/etnia.

Muito certo, é nosso dever profissional e de cidadão. Mas e quanto aos incluídos fora da escola, da assistência social, da saúde e da segurança pública e, portanto, excluídos em grupos de traficantes de drogas e armas, em grupos rivais de gangues compostos, em sua maioria, por meninos usados para transporte e venda de armas e drogas, com apologia às facções criminosas de São Paulo e Rio de Janeiro, numa verdadeira escola para a criminalidade e envolvimento com atividades ilícitas? O que pensar? Com o que agir? O que e como fazer? De quem exigir?

Diante de tantos questionamentos, ainda me deparo com ausência de respostas e alternativas ofertadas pelo poder público de todas as esferas, de cada seguimento profissional e até das pessoas em geral, porque ao perguntar a elas e aos jovens das regiões daqui de JF onde há baixa infraestrutura social e onde tem ocorrido constantes confrontos de gangues, rixas de bairros como os de ontem (11/12) e de hoje (12/12) com mais agressões e violência e apreensão de drogas, assaltos, roubos… Elas me dizem: “ah! Isso aqui já é normal faz tempo!”. Ficaria decretado então que é normal conviver com violência e ausência de um mínimo de estrutura social?

O sinuoso desejo de emburrecer

olhar-thumbEm conversa com um amigo querido ouço a seguinte frase “sabe que sua guinada à esquerda me fez seu fã numero 1!”.

De momento rimos ambos, em deleite com uma agradável conversa… quando dei por mim estava “me auto self questionando a mim mesma sobre mim.”

A redundância, caros amigos, é proposital e apenas esclarece que, como diz a querida Mafalda, me apeteve “fazer turismo por mim mesma”.

A questão é … o que seria a guinada à esquerda?

De pronto pensei nas leituras de orientação marxista (Lowy, Minayo – melhor seria materialismo-histórico dialético) em que ando me debruçando, senso comum revolucionárias, perigosas, subversivas … afinal temos o hábito de somar marxistas, comunistas, socialistas no mesmo saco esquerdista ou comedor de crianças. Mas não…

Lembrei das palavras dos livros de Paulo Freire que andam percorrendo os meus textos e outras interessantíssimas vertentes da libertação com Boff e Martin-Baró. Mas também não…

Me questionei se era o curso (simplesinho, B-a-bá, mesmo, para analfabetos em filosofia) de Filosofia que estou completando e seu primeiro questionamento… Filosofia pra quê? – Começou a esquentar.

Mas foi quando comecei a ler João Ubaldo Ribeiro, mais especificamente, Política: Quem manda, porque manda, como manda, é que caiu a ficha. Minha questão não era o lado, era o todo… não esquerdei… ando me politizando !

Me politizando por que entendi o ponto de vista da precursão da materialidade sobre as ideias na dialética na concepção de Marx, me lembrando que é através do estranhamento das desigualdades no atendimento a saúde de populações vulneráveis que podem surgir novas concepções de saúde, novas ideias.

Me politizando por que entendi o que Freire quis dizer quando propos que toda a pratica educativa é politica portanto não é neutra. Daí caiu a ficha que o belo projeto político pedagógico que eu docilmente (quase citando Foucault agora rs) aceitei na minha formação me estimulou ser uma alienada.

Me politizei porque somei lé com cré na seguinte frase do Ubaldo “estamos imersos num processo político que penetra todas as nossas atitudes, toda a nossa maneira de ser e agir, até mesmo porque a educação, tanto a doméstica quanto a pública, é também uma formação política. ”

E o pior (ou melhor talvez) como diz Ubaldo.

“Assim, quando estamos pensando em cuidar de nossa vida apenas, sendo “apolíticos”, na verdade estamos somente com a vista curta ou então somos comodistas, não achando que as coisas estão tão ruins assim, para que procuremos fazer algo para mudá-las.

Quando alguém diz, como é freqüente lermos em entrevistas aos jornais, que “não liga para a Política”, está naturalmente exercendo um direito que lhe é facultado pelo sistema político em que vive.

Ou seja, em última análise, está sendo um político conservador, não vê necessidade de mudanças. Então não é apolítico, palavra que indica “ausência de Política”.

No máximo, falta-lhe a consciência de seu significado e papel político — significado e papel que todos têm —, uma coisa muito diferente. Pois o apolítico não existe, é somente uma maneira de falar, por assim dizer.”

Daí deu uma dor de estômago, uma necessidade sinuosa, provocante de emburrecer, porque, dá conta de toda essa informação e comprometimento com a sociedade, passa a ter um peso na consciência muito mais significativo.

Uma vontade como diz Ubaldo, comodista, dos que ainda trilham vacilantes em busca de uma consciência política ampliada, de entender verdadeiramente o descaso com a Saúde Pública com a situação de EBSH, de entender verdadeiramente porque a Ligia Bahia diz que o Brasil está na contramão das politicas de saúde (entendida como direito universal) no mundo, de entender verdadeiramente qual o minha responsabilidade no mundo.

Nesse momento o sinuoso emburrecimento foi perdendo espaço para a ideia de conquista do conhecimento, da conquista da liberdade de pensamento, da conquista de algo mais parecido com o verdadeiro sentido de cidadania e autonomia que transcende a urna eleitoral.

A guinada para o todo anda me fazendo caminhar pela estrada da politização.

 

Um abraço Gabriel, este post, tem seus cinco dedos e grande parte de seus questionamentos.

Gustavo, a Mafalda foi o seu melhor presente, ela, e o seu incentivo constante.

 

 

 

 

 

Como estudo justamente a religião e sua interconexão com a saúde e no futuro suas ligações com as comunidades em situação de vulnerabilidade acabo me identificando muito com Lowy e Boff… vale a pena ler

Leonardo Boff

MICHAEL LÖWY,amigo de muitos anos, é um dos intelectuais brasileiros mais respeitados. Nascido em São Paulo (1938) de pais judeus austríacos. Fez sua carreira acadêmica na França como sociólogo marxista e filósofo. É diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS, tendo sido homenageado em 1994 com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais.Seu marxismo não possui nada de doutrinário mas representa um pensamento em movimento, acopanhando os avatares da história.Em razão disso é tido como um dos principais pensadores marxistas da atualidade. Publicou vasta obra. Uma nos interessa diretamente por sua pertinência e profundidade sobre a Teologia da Libertação:”A guerra dos deuses: religião e política na América Latina” (Vozes 2000).Recentemente deu uma entrevista no IHU de 19/11/2012. Vamos reproduzi-la por seu caráter orientador e equilibrado.Lboff

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IHU On-Line – Quais são as peculiaridades da revolução na obra do jovem Marx? Em que…

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