Os jovens são o futuro do país… ops será? Jovens, futuro?

No Brasil, assim como em vários outros países do mundo, observamos um aumento crescente da população idosa, fator que altera significativamente o perfil populacional do país, no fenômeno denominado de “transição demográfica”. A chamada “transição demográfica” é, grosso modo – uma vez que este fenômeno é extremamente complexo – resultante da associação de fatores como a redução da fecundidade e da mortalidade infantil, intimamente associada ao avanço da tecnologia em saúde assim como de ações cada vez mais eficazes no âmbito da saúde materno-infantil e do planejamento familiar (Melo & colaboradores, 2009).

A mortalidade nos idosos é outro fator que contribui para esta modificação do perfil, pois vem diminuindo ao longo dos anos em consequência da melhoria da qualidade de vida, maior acesso aos serviços de saúde e avanço das tecnologias no tratamento de agravos próprios da terceira idade (Melo & colaboradores, 2009).

Desta forma, observamos um país cada vez mais velho, o que modifica significativamente a posição do idoso na sociedade, desde mudanças em nível de saúde pública e previdência, com aumento do número de aposentadorias e investimentos em tratamentos específicos para acometimentos da terceira idade, até implantação de políticas públicas específicas como a Política Nacional do Idoso (PNI) em 2002 e a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI) em 2006 (Baptista, Neves & Baptista 2008).

Associado a estes fatores observam-se mudanças na estrutura familiar onde o idoso passa a ser, com frequência, mantenedor do lar através da aposentadoria, além de assumir papel vital na criação e educação dos netos, o que gera modificações no relacionamento inter-gerações oriundos da convivência cada vez maior e intensa pela longevidade desta população (Costa & Ciosak, 2009; Melo & colaboradores, 2009; Camacho & Coelho, 2010; Horta, Ferreira, & Zhao, 2010).

Tendo em vista a importância desta temática na estrutura/conjuntura da sociedade atual é notória a importância e necessidade de se discutir qual significado de envelhecimento o idoso constrói ou reconstrói ao longo de suas vivências, principalmente para compreender como estes significados influem na saúde desta população.

Ao relacionar saúde com envelhecimento é importante lembrar que isso implica em uma inter-relação harmoniosa dos aspectos físicos sociais e mentais, muitas vezes um status subjetivo, permeado por dimensões cada vez mais amplas e complexas. Em se tratando de saúde do idoso, este tema se torna ainda mais trabalhoso, consequência dos vários aspectos que permeiam a percepção e o sentido de saúde para esta população.

A percepção de saúde para o idoso normalmente entrelaça duas grandes representações contraditórias – uma positiva e outra negativa – como mostra o trabalho de Guerra & Caldas (2010). O discurso positivo faz referência ao orgulho da longevidade que gera consigo acúmulo de experiências e respeitabilidade. Associada a esta longevidade está à conquista de melhor qualidade de vida mediante autonomia financeira e, com a desobrigação do trabalho mantenedor, dispensa de grandes atribuições sociais e familiares que geram tempo livre para novas possibilidades de aprendizado, de realizações pessoais e novos relacionamentos.

Por outro lado, observamos um discurso negativo que retrata as alterações fisiológicas e patológicas caracterizadas pelas doenças crônicas degenerativas e processos demenciais e depressivos próprios desta faixa etária. Conjuntamente as alterações biológicas somam-se as alterações profundas da imagem corporal oriundas do aparecimento de novos caracteres socialmente depreciativos como rugas, cabelos brancos, ganho de peso e flacidez. Por fim ainda relatam situações limitantes como diminuição da capacidade motora e realização laboral.

As limitações motora e, principalmente, laborais geram grande transtorno para o idoso já que estamos inseridos em uma sociedade capitalista e a capacidade de produção através do trabalho dá significado à existência do indivíduo, sendo que associado ao imaginário de invalidez torna o sujeito idoso físico e psicossocialmente vulnerável.

Esta vulnerabilidade do idoso acontece quando ele se percebe alheio às atividades que geram renda para a manutenção do lar e ainda pela substituição do seu “lócus” na família, ou seja, deixando de ser considerado sujeito ativo e representativo daquele núcleo. Perdendo sua representatividade na sociedade e na família, o idoso se torna cada vez mais inseguro de si e esta situação pode se potencializar quando as reflexões sobre a transitoriedade da vida e convivência com a morte surgem no seu contexto.

Esse texto, apesar de superficial, já demonstra como a questão do envelhecimento é importante da agenda de discussões dos profissionais de saúde.

Para complementar o texto posto o video de Minayo sobre o panorama da saúde no Brasil neste perfil longevo.

Caso queiram as referências é só pedir.

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