Como anda o teu conhecimento? “Mafalda” responde…

Cinco sugestões de Mafalda

Acredito que, ao menos uma vez na vida, vocês já se depararam com uma tirinha da MAFALDA.

Mafalda foi uma tira escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino (Joaquín Salvador Lavado, 1932) cuja protagonista – Mafalda- é uma menininha que, apesar de ter comportamentos típicos da infância, também possui uma visão ampliada da vida que a leva questionar o mundo à sua volta, em uma perspectiva crítica, mais humanista e aguçada do mundo. Fato este que deixa seus pais de cabelo em pé com algumas de suas colocações perfeitamente situadas no contexto sócio histórico mundial (notadamente da América Latina) da década de 60.

Mas o que a Mafalda tem ou teria a nos ensinar sobre conhecimento?
Maria Cecília Minayo uma socióloga, antropóloga e doutora em Saúde Pública me inspirou para a escrita deste post juntamente com a obra do Quino.  Para ela a ciência é a forma hegemônica de construção do conhecimento nos dias atuais, entretanto desde que o homem é homem criou diferentes formas para explicar os fenômenos que cercam a vida, a morte, o lugar dos indivíduos na organização social, os mecanismos de poder, de controle, de reprodução.

“Desde tempos imemoriais, as religiões, a filosofia, os mitos, a poesia e a arte tem sido instrumentos poderosos de conhecimento, desvendando lógicas profundas do inconsciente coletivo, da vida cotidiana e do destino humano.”  (Minayo em O Desafio do Conhecimento)

Por que, então,  não podemos dialogar com as tiras da Mafalda sobre este próprio ato de conhecer?

Cinco sugestões de Mafalda

1. O que saber?

Um dos primeiros impactos ao se entrar na faculdade é o volume de conteúdos que se desdobram mediante a nossa  capacidade ou boa vontade de acompanha-los. A tirinha ao lado lembra esta primeira impressão, aquela de que “não vai caber”, de que é “muita coisa”.

Sinto dizer que, para aqueles que tem prazer em aprender e entende o aprendizado como algo natural da vida, essa sensação não passa… há sempre algo novo, uma teoria, uma técnica, uma corrente filosófica … fora aquelas que a gente passa batido e só depois, com a MATURIDADE presenteada pelo tempo,  entendemos o  significado.

Aos poucos a ansiedade originada no “ter de deter tudo o que se apresenta” vai sendo trabalhada e direcionada por um senso crítico que nos aponta para algumas questões, a meu ver, fundamentais: não se pode saber TUDO e que se os conteúdos apresentados são realmente importantes ou se atendem a “modismos” (comum na prática do fisioterapeuta, inclusive).

Obs: Já discuti no blog sobre metodologias que facilitam o aprendizado crítico – Paulo Freire… o que ele tem a ver com a saúde? –

 

2. Somos tão ingênuos:

O desenvolvimento deste pensamento crítico,  que nos direciona a determinados conteúdos,  vem associado ao amadurecimento da capacidade de identificarmos a qualidade de um texto/material em relação a sua relevância e credibilidade. Este amadurecimento por sua vez vem com a prática da própria leitura e do diálogo, seja ele com outras pessoas ou outros autores.

Notadamente quanto menos conhecimento temos mais propensos estamos a crer que tudo aquilo que nos falam representa a verdade. Consequentemente somos menos capazes de emitir opiniões e elaborar ações que geram impacto no meio social ou mesmo individual. Por isso, penso eu, que estes cada vez mais em voga processos seletivos que primam por análises críticas, sujeitos inteirados das situações globais, participação ativa do aluno no processo de aprendizagem entre outros…

 

3. As idéias

O desenvolvimento da leitura crítica, da formulação de conhecimento relevante implica em flexibilizar-se… Flexibilizar-se em relação a novas descobertas e pontos de vistas e ainda no estabelecimento de posturas dialógicas que favorecem a construção de novos conhecimentos.

 

4. A importância do que conhecemos:

Dizer que determinado tipo de tema e produção de conhecimento sobre ele é relevante ou não consiste de uma séria questão que frequentemente descamba para ideia de que tudo que lemos deve ser “intelectualizado”, guardar profundas e complexas conjecturas sócio-políticas e ter desdobramentos sócio filosóficos.

Seria bom que o material ao qual nos debruçamos contribuísse para reflexões mais profundas da vida, entretanto isso não quer dizer que não possamos rir, fazer trocadilhos, ler conteúdos mais leves e divertidos… como a Mafalda.

 

Por fim…

 

5. A quem o conhecimento incomoda:
Tudo aquilo que ouvimos, lemos e conhecemos parte de um conjunto de ideias pré-estabelecidos, de correntes de pensamentos que tem em si um porque e um para que, uma ideologia. Isso não é necessariamente ruim, entretanto exige esforço e perspicácia nossa para que possamos identificá-las e nos posicionar melhor perante aquele conhecimento que está sendo proposto.

Com certeza existem pessoas muito mais gabaritadas do que a simples pessoa que vos escreve … O intuito aqui é apenas pontuar algumas reflexões e perceber como pode ser extremamente prazeroso o processo de conhecimento.

 

Para saber mais:

Mafalda e Quino: http://www.quino.com.ar/

Mafalda no face: https://www.facebook.com/DepositoDeTirinhas?ref=ts&fref=ts

Livro “O desafio do conhecimento”:  http://compare.buscape.com.br/o-desafio-do-conhecimento-pesquisa-qualitativa-em-saude-minayo-maria-c-s-8527101815.html#precos

Paulo Freire: http://www.paulofreire.org.br/asp/Index.asp

 

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