Antropologia e CAPIVARAterapia … um método para o fisioterapeuta.

Quando o estudo passa a fazer parte rotineira da vida, as ideias vão se articulando em velocidade incrível.

Estudando as correntes ideológicas que traçam a importância da contextualização cultural do sujeitos na forma como entendem saúde, assim como os grupos criam seus próprios sistemas de saúde perante suas crenças compartilhadas parei para assitir Tv por um tempo e me deparei com a BOTOTERAPIA.

A Bototerapia foi desenvolvida voluntariamente pelo fisioterapeuta especialista em Rolfing Igor Simões Andrade e utiliza da interação dos Botos (Golfinhos de rio) com seres humanos (notadamente crianças com alterações no desenvolvimento neuropsíquico e motor) http://bototerapia.com/home/

Me surpreendi, ou melhor, me apaixonei por aquela prática que de forma tão singular expressa a contextualização da riqueza amazonense à prática do fisioterapeuta. Que habilidade teria aquele fisioterapeuta na elaboração de tal estratégia? Haveria alguma sistematização do trabalho? Estava baseado em evidências?

Não obtive muitas respostas para estas perguntas mas ficou claro para mim que o amazonense tem uma relação forte e lúdica com o rio e com o Boto que tornaram possível tal prática, principalmente associado a um profissional com tamanha abertura e sensibilidade, embuído de um sentido cultural.

Malinowski, antropólogo autor de Argonautas do Pacífico, era o material que estava lendo bem antes de ver a TV, e diz que: “é uma atitude (antropologia) que consiste em desenvolver uma visão estereoscópica das atividades e ideias humanas através de conceitos inteligíveis a todos.” Como bom etnógrafo advoga a inserção do observador (chamado de fisioterapeuta neste nosso exemplo, porque não ?) na cultura dos sujeitos que observa de forma profunda entendendo seu funcionamento… me pareceu bem apropriado aquela reportagem.

Alguns poderão dizer… isso vai virar moda daqui a pouco qualquer coisa pode virar técnica/método/abordagem pra fisioterapia…

Alguns poderão dizer… se fosse em Juiz de Fora (cidade de onde escrevo) teríamos, por este princípio, a CAPIVARAterapia no Rio Paraibuna… olha só que lúdico!

Mas será que a nossa relação com as capivaras que moram no poluído rio Paraibuna tem a mesma importância, o mesmo valor que o rio Negro para quem mora nas proximidades de Manaus?

Será que o Rio Paraibuna construiu a nossa identidade como grupo? As capivaras são representativas da nossa relação com ele (o rio)?

Brincadeiras à parte vale a reflexão e a delicia dos sorrisos no vídeo abaixo

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6 pensamentos sobre “Antropologia e CAPIVARAterapia … um método para o fisioterapeuta.

  1. MARCO disse:

    Está cada vez melhor…

  2. Letícia Ribeiro Diogo disse:

    Acontece isso com a Equoterapia… além dos benefícios que conhecemos, o simples contato com um animal, já muda muito as atitudes das crianças, sem falar do rostinho delas quando estão perto do cavalo! ^^
    É clato que o boto é uma gracinha!! Mas defendo mto os cavalos também, são tão lindinhos!
    Adorei a publicação Pri!!
    Beijos
    Leh

  3. Com certeza a intereção com o animal é incrível… existem outras abordagens com cachorros, aves e já vi até com cobras, o que me chamou atenção é que o boto tem uma relação forte com o rio e este com população que vive ali !

    Que bom que você gostou Le, é muito bom receber seus comentários.

  4. Giselle disse:

    Fico admirada e me espelho muito nesse envolvimento com os pacientes. Uma coisa (o humor) está ligada a outra (motricidade) ..tá aí a psicomotricidade né, Pri? Entendi direito? hehe E é essa dedicação que faz toda diferença e fortalece a nossa profissão! Curti!

  5. É por ai Gi … independente disso vejo todo esse potencial em você ! Abraço enorme com carinho

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